"A minha meta é crescer", afirma a vendedora Carla Silva

O comércio e o serviço foram  responsáveis pelas maiores formalizações de empreendedores individuais (EIs), com lucro de até R$ 60 mil/ano, nos últimos dois anos na Bahia, e por  quase 80% das mais de 30 mil micro e pequenas empresas constituídas em 2012 no Estado. Apesar de concentrarem a maior parte das formalizações, esses setores não estão saturados.
Pelo contrário. Existem diversas oportunidades de negócios nessas áreas, diretamente ligadas a uma série de modificações pelas quais a sociedade vem passando, como as sociais e econômicas. E quem pretende  tornar-se um empreendedor deve estar antenado a essas mudanças, aconselha a gestora de atendimento do Sebrae-Bahia, Mariana Cruz.
Um exemplo  são as possibilidades surgidas e que ainda surgirão para acompanhar as demandas oriundas do aumento da expectativa de vida e, consequentemente, do envelhecimento populacional. Serviços de adaptação residencial, turismo e academia para idosos são   considerados viáveis. Outras oportunidades estão ligadas à saúde, com perspectivas nas áreas de fisioterapia e  academias; ao crescimento do acesso à internet; consumo consciente e aumento  de pessoas morando sozinhas, segundo o Sebrae.
Além desses, o turismo, beneficiado pela Copa, é encarado como promissor. A expectativa é que a mídia espontânea do destino Brasil perdure além de 2014, o que deve aquecer o setor e estimular o aparecimento de  apostas nessa área, segundo o consultor do Sebrae Michelangelo dos Santos.
Mas, antes de optar por um desses caminhos, é preciso estar atento a outros fatores, como "vocação do empreendedor, conhecimento técnico e de gestão, planejamento, recursos financeiros, localização e o público-alvo", alerta Cruz.
Atividade tradicional - No comércio varejista de vestuário, líder de formalizações (21 mil) entre os EIs, o destaque foi das chamadas "sacoleiras", atividade já tradicional na cidade, desempenhada por mulheres que vendem roupa em domicílios, como a autônoma Carla Silva faz há dois anos.
Os registros, contudo, não indicam necessariamente a entrada de novos profissionais, mas o aumento da formalização de quem já atuava, o que beneficia o setor e oferece vantagens para quem se formaliza - registro no CNPJ, facilidade para empréstimo e emissão de nota fiscal.
Para  interessados nesse ramo, os segmentos promissores  são de uniformes, brindes  e moda, segundo a presidente do Sindivest, Maria Eunice. O setor é apontado como destaque pelas facilidades que oferece, já que  não necessita de  grandes instalações nem mobilizar grande  capital de giro, explica a coordenadora de gestão do Sebrae, Isabel Ribeiro.
Entusiasmada com o resultado do  trabalho, Carla pretende  lucrar acima do teto para EIs,  como 70% dos mais de 180 mil registrados: "Ainda trabalho vendendo roupas  nas casas de clientes, mas já estou em busca de um ponto  viável e vou contratar profissionais, porque  a minha meta é crescer", afirma a vendedora.  "Essa disposição mostra que quem está no meio vê perspectiva de crescimento", avalia Mariana Cruz, do Sebrae.
*Com informações do "Portal a Tarde"